Sótão Lança "HARDCORE DE GAFIEIRA": Uma Jornada Emocional Através do Caos da Vida Adulta
- Susse Magazine

- 19 de mai.
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A banda Sótão anuncia o lançamento de seu aguardado álbum, "HARDCORE DE GAFIEIRA", uma obra que transcende gêneros ao transformar o caos emocional da vida adulta em uma experiência sonora única. O disco, composto por dez faixas, aproxima post-hardcore, metalcore e referências da música brasileira, sem que essas influências sejam meros recursos estéticos, mas sim elementos intrínsecos à narrativa de amadurecimento, ausência paterna, vícios, ansiedade e reconstrução emocional.
A abertura do álbum com "Virando a Esquina", interpretada por Carlos Brandão, estabelece imediatamente a fusão estilística que permeia o trabalho: a presença do samba e da gafieira serve como um prelúdio para o peso emocional do hardcore da banda. Na sequência, "Boêmico" aprofunda o colapso do personagem central, abordando excessos, alcoolismo, autodestruição, violência e a deterioração emocional causada pela ausência paterna. A faixa sintetiza a atmosfera do disco, transformando a queda pessoal em tensão melódica e agressividade.
"De Tardezinha" desloca o foco para a tentativa ilusória de preencher vazios emocionais através de relações e expectativas que se mostram incapazes de resolver traumas mais profundos. Musicalmente, a faixa dialoga com estruturas clássicas do metalcore melódico dos anos 2000, com acordes diminutos e momentos que remetem a bandas como Deftones, mantendo a conexão harmônica com o samba e a música brasileira.
"Chorinho de 84" sintetiza a dualidade central do álbum, alternando momentos intimistas com explosões guiadas por guturais e referências diretas ao metalcore do início dos anos 2000. "Sonhos Também Envelhecem" resgata elementos mais atmosféricos da trajetória da banda, unindo peso e contemplação em uma das construções mais emotivas do trabalho.
"Insanidade" desacelera completamente a dinâmica do disco, mergulhando em atmosferas ligadas ao shoegaze, retomando características presentes nos primeiros lançamentos da Sótão. A faixa aborda desgaste psicológico, incompreensão social e a sensação constante de deslocamento, utilizando uma construção melancólica e contemplativa.
"Ode aos Abandonados" surge como uma das faixas mais vulneráveis do álbum, explorando a ausência paterna, o trauma familiar e o esforço consciente de interromper ciclos emocionais herdados. A participação de Thiago Jamelão, artista ligado aos projetos musicais de Emicida, amplia a tensão emocional da música ao aproximar samba, melancolia e agressividade.
Na reta final, "Coroa de Espinhos" se destaca como uma das composições mais pesadas do disco, misturando a agressividade do metalcore contemporâneo com linhas de baixo descendentes inspiradas nas tradicionais "baixarias" do violão de 7 cordas do samba, reforçando a identidade híbrida do álbum. "O Último Homem das Trincheiras" transforma frustração e desgaste emocional em uma música sobre permanência, amizade e resistência, mesmo diante do fracasso.
O encerramento com "Ciclo Quebrado" funciona como síntese conceitual da obra. A faixa parte de elementos ligados ao samba e evolui gradualmente para o hardcore, acompanhando a narrativa sobre paternidade, medo, herança emocional e transformação pessoal. A participação de Faell ajuda a ampliar a mistura entre música urbana brasileira, trap e post-hardcore, encerrando o disco de forma íntima e confessional.
Produzido por Luke Mello, "HARDCORE DE GAFIEIRA" utiliza peso, melancolia e referências da música brasileira para discutir traumas geracionais e amadurecimento emocional, em um trabalho que aproxima samba, shoegaze, post-hardcore e metalcore sem perder a unidade estética.



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