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Oscar Calstrom lança “O Asilo”, um manifesto sombrio que reinventa a MPB sob o peso do metal

  • Foto do escritor: Susse Magazine
    Susse Magazine
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

O músico Oscar Calstrom apresenta O Asilo, um álbum intenso, pessoal e profundamente sombrio, nascido das marcas deixadas pela condução desumana vivida durante a pandemia de COVID-19. Mais do que um disco, o trabalho se estabelece como um grito íntimo de revolta e reflexão, transformando angústia coletiva em arte crua e sem concessões.


Mesclando covers subversivos da MPB clássica — como Chico Buarque, Belchior e Ney Matogrosso — a composições autorais ácidas, O Asilo propõe uma fusão inesperada entre MPB e metal. Guitarras pesadas, atmosferas densas e um contrabaixo em destaque constroem uma sonoridade que dialoga tanto com a canção brasileira quanto com influências do rock progressivo e do metal, indo de Rush a Tool, sempre oscilando entre melancolia e fúria.


O álbum se destaca pela releitura política e emocional de obras consagradas, que ganham nova vida como hinos de revolta contemporânea. Faixas como “Cálice”, de Chico Buarque, surgem repaginadas com riffs metálicos e abordagem direta, enquanto “Rosa de Hiroshima”, de Ney Matogrosso, assume um tom soturno, perturbador e propositalmente tenso, reforçado pela participação do vocalista de black metal Caio Stein (Hateful Agony), também presente em outros momentos do disco.


Entre os destaques está “Até Quando Esperar” (Plebe Rude), que transforma o clássico dos anos 80 em um grito ainda mais pesado pela igualdade, com o contrabaixo assumindo papel central e um clipe disponível no YouTube. Já a faixa autoral “Vai Passar” aponta para a libertação, usando a metáfora do fim de um relacionamento abusivo para simbolizar a superação da revolta e do clima opressivo. O álbum ainda traz “O Asilo Memorial Fletcher”, versão em português de The Fletcher Memorial Home, de Roger Waters, incorporando discursos reais que ajudaram a moldar o conceito da obra.


Produzido de forma independente, porém com alto rigor técnico, O Asilo extrai o máximo de qualidade de um home studio, refletindo estudo, dedicação e identidade artística. É o retrato de Oscar Calstrom em seu momento mais sombrio — e, justamente por isso, um trabalho honesto, corajoso e impactante, que convida o ouvinte a encarar de frente as feridas recentes da sociedade.



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