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Fernando Castelo: Riffs de baixo que navegam pela linha entre o alt rock, hardcore e experimental

Músico faz parte da banda piauiense Autoclismo e lançou recentemente o single “Page” em todas as plataformas de streaming


O Autoclismo é um trio instrumental formado em Teresina no ano de 2018 por Lucas Barbosa (guitarra), Fernando Castelo Branco (baixo) e Jarrel Santos (bateria), com influência de rock alternativo, hardcore e nuances experimentais. O trio piauiense lançou recentemente o single “Page” em todas as plataformas de streaming via Electric Funeral Records.


O baixista Fernando Castelo oferece riffs precisos que se estendem pela linha entre o rock alternativo, harcore e o experimental, dando-lhes um ardor crucial que os torna únicos e pesado, mantendo em suas composições uma pegada melódica crucial para os riffs musculares da estrutura da música. É essa abordagem que torna a música do Autoclismo tão inovadora.


Conversamos com o músico sobre sua trajetória na banda, backline, influências musicais, entre outras curiosidades. Confira!


Você e os músicos do Autoclismo apresentam uma conexão muito forte em suas músicas . Como que funciona a parceria de vocês como músico e amigos dentro do projeto? 

A gente tenta manter o minimamente sério, porque o ambiente da banda é muito relax, até na hora de pautar coisas de ensaio, gravação, etc. Estamos também sempre trocando figurinhas de som, tentando não criar uma “bolha”, além de dissipar qualquer stress, ajuda na hora de ter ideias e tal. 


Dentro do cenário de rock alternativo, você costuma acompanhar bandas com trabalho autoral? E sobre as estrangeiras, alguma atual que tenha lhe chamado a atenção?

Particularmente eu procuro me manter atualizado das produções nacionais, tem muita banda nessa praia nossa que acaba passando batido porque é underground além da conta, então se você não estiver sintonizado nos canais certos, perde o bonde. Gringo a última coisa que me chamou atenção foi um cara (que não é absolutamente nada na nossa linha) chamado Ezra Furman, ele fez a trilha pra um seriado da Netflix , “Sex Education”. 


Que dica você daria a músicos brasileiros que tem medo de experimentar e inventar coisas novas em suas músicas?

Se você não está na onda de autoral, experimente. Se você já está, experimente mais ainda. É parte essencial do processo. 


Qual modelo de baixo, cordas e amplificadores você usa? Conta pra gente a relação de amor com seu instrumento.

Desde que me meti a tocar eu já tive vários instrumentos, até porque instrumento é poupança de músico, já disse algum sábio andarilho. Como toco em outras bandas acaba rolando um conflito de afinações, então preciso ter mais de um (sem contar o perigo de ficar na mão, afinal quem tá em cima do palco com um apenas,  tem nenhum). Na Autoclismo eu uso um Gibson que cumpre todas as funções: afinação, timbre, qualidade de sinal pra palco e estúdio. Só uso um overdrive que ajuda a dar um “suporte”, mesmo quando o encordoamento não tá mais assim tão novo., e já que não tenho endorsement. Outro pedal que ajuda bastante é um filtro/envelope, que também é uma mão na roda tanto ao vivo quanto em estúdio. Ando sempre testando algo aqui ou ali, mas depende bastante de encaixa-lo no que a música possibilita, não é legal ficar abusando do efeito. Fora isso eu procuro não manter esse apego todo a instrumento. Já me desfiz de vários. Quanto a amplificador, se não der pra usar o da casa, tenho um Bass60 da Marshall quem me acompanha desde o finalzinho dos anos 90, e é um coringa na manga. Não tem invencionice, é apostar no que dá certo e acabou-se. 


Quais são as suas maiores influências musicais? Pra você qual é o maior baixista de todos os tempos? 

Música é algo bem visual pra mim, eu citaria Salvador Dalí, Jackson Pollock ou Jean-Michel Basquiat; mas pelo lado musical eu peguei uma bagagem que começou com coisas mais “sujas” (Motörhead, Voivod, Venom, hardcore europeu), passou pelo minimalismo sem perder a ternura dos Ramones, pela economia com bastante melodia do post-punk, sem subestimar mestres dos graves que trabalharam com reggae, dub e disco. Um cara que, pra mim, mistura isso tudo e compôs linhas antológicas seria o Peter Hook (Joy Division/New Order/Revenge/Monaco/The Light). 

Podemos dizer que suas linhas de baixo apresentam muita técnica e emoção. Como se dá o seu processo de criação e composição?

Pode começar até com uma piada que alguém contou. É algo bem livre. Pra nós é importante não soar datado. Nessa hora a gente tenta se colocar no lugar do ouvinte. É bom pra não perder a “mão” da coisa. No mais basta deixar vir. 


Como a música surgiu em sua vida?

Minha avó tocava, meu pai tocava. Música em casa era uma coisa muito natural. Quando eu tinha sete anos minha família se mudou pra uma casa maior e pudemos ter um piano, daí eu fiz uns dois anos de aula. Mas com essa idade você tá com a cabeça lá em jogar bola... Só fui realmente me interessar por música (consumir, etc) na adolescência. Um pouco depois de entrar na universidade eu comecei a tocar com banda, e tô aqui até hoje. 


Conta pra gente qual foi seu melhor momento dentro da sua trajetória na banda. Algum show marcante ou uma história que te marcou dentro do trio?

Tocamos ao lado da Rakta em um festival chamado Marthe, em 2019, foi uma experiência bem legal. Também tocamos numa mostra multiplot desse mesmo festival no ano anterior, musicando uma projeção, em uma sala que geralmente é destinada a concertos eruditos. Também já tocamos em um espaço cultural embaixo de uma ponte, foi bem bacana. 


Qual a sua faixa preferida já lançada? E por que?

Ultimamente gosto do nosso último single, “Page”. Além de ter sido nossa primeira composição juntos, tem uma base trincada, quase um groove, com uma espécie de “parada pra respirar”. É simples, direto e bem eficiente. Algumas pessoas até indagaram o motivo de termos gravado algo tão “simples” pra fazer um clipe, mas é apenas isso aí: tocar as pessoas enquanto elas não tiveram nem tempo ainda de contar os acordes. 


Confira 'Page':


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