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Concreto Armado: Lança clipe potente e demarca o território de postura antifascista da banda



Portando palavras e munida do velho Rock'n Roll como atitude, a Concreto Armado é uma banda autoral e independente de São Gonçalo-RJ. Influenciada pelo flow do rap, distorção do metal e a levada do funk, a Concreto Armado busca se comunicar com letras que abordam o cotidiano sensível, minado de opressões e contradições.

O quinteto formado por Julius Brito (voz), Luiz Augusto (guitarra), Mayco Barroso (guitarra), Felipe Gonçalves (Baixo) e Raphael Teixeira (bateria), acaba de lançar o clipe e single "Não Seja Um Lambe Botas" em todas as plataformas de streaming.


Confira clipe:

Uma banda sem papas na língua e com fortes composições de cunho social político, Concreto Armado, segue atento as covardias que acometem os brasileiros todos os dias, transbordando essa revolta e indignação em suas composições.

Conversamos com a banda sobre sua trajetória, processo de composição, influências musicais, planos futuros e outras curiosidades. Confira a entrevista!

De onde surgiu esse nome "Concreto Armado"? O que levou a banda a esse nome?

CA: Concreto Armado surge de uma perspectiva nossa de expressar uma estrutura forte, compacta, mas que também tenha relevância nas subjetividades. A gente acredita que trabalhar com linguagem e buscar coerência no que a gente diz é importante. Desde as letras à estrutura sonora. A partir disso a gente busca expressar o momento, nossas convicções, nossas incertezas, o que a gente vê das coisas e as contradições que permeiam todo o processo.

Como se deu o surgimento da banda?

CA: A banda é um projeto de ativismo político e militância artística que surge em 2009 enquanto projeto e tal, mas que fica meio que engavetado, por uma série de fatores conjunturais. Problemas de tempo, trabalho, de entender a dinâmica do trampo autoral, independente e tudo que envolve a produção desse tipo no contexto em que a gente se insere. Isso acarretou em diversas trocas de formação até o momento da consolidação da formação atual em 2018, mas em 2016 a gente já começa a "acontecer" no sentido organizacional mesmo, com ritmo de ensaio, criação, agenda, rede social, amadurecendo a dinâmica da produção e aprimorando nossa linguagem dentro do conceito que a gente vêm elaborando.

A banda acaba de lançar single e clipe faixa "Não seja um lambe botas''. Como foi o processo de composição e gravação desse single?

E como surgiu a concepção para o clipe da música?

CA: A composição desse single se deu num momento em que era preciso demarcar um território óbvio, o da postura antifascista da banda - que já era bastante evidente desde o início. Muita coisa aconteceu nesse país e no mundo, nos últimos 3 anos. O avanço do neofascismo, a articulação desses grupos nas redes sociais, o escancaramento do projeto deles junto ao poder executivo e à política institucional. A gente percebeu uma galera que nem viveu o período da ditadura militar querendo uma espécie de retorno desse regime e/ou a construção de um autoritarismo mais bizarro ainda é a partir disso foi inevitável não retratar isso numa música mais forte e direta, com frases mais retas e influência do thrash. A questão do que a gente chama de "lambebotismo" permeia muita coisa, burrice, ignorância, medos, covardia, falta de imaginação política e um senso de maldade também, saca? E é uma guerra antiga e uma briga longa que se dá em muitas esferas. Na nossa cidade, por exemplo, acabou de ser eleito prefeito um militar, notório chefe de grupo de extermínio, citado na CPI das milícias com o argumento de trazer segurança à população. A gente num cai nessa né. Nesse sentido, "Não Seja Um Lambe Botas" retrata bastante o momento atual, infelizmente.A concepção do clipe se deu em parceria com a produtora "Em Rede Produções", vale a pena conferir o trabalho deles nas redes sociais. Foi um dia de gravação no galpão onde a gente ensaia e produz nosso som, a gente buscou trazer pro audiovisual elementos que constituem o nosso imaginário e coisas que dialogam com o tema da música em específico. A ideia era retratar uma parada direta mesmo, coerente com o som.

A faixa lançada foi muito bem recebida nos sites de música especializada do país. Como a banda está vendo esse feedback tão positivo do material lançado?

CA: A gente tá bastante feliz e de certa maneira já esperava também. A parceria com a Collapse vem rendendo bons frutos. A nossa meta é circular pelos mais variados espaços e atravessar algumas fronteiras mesmo. Essa é a proposta da nossa linguagem, permear vários imaginários e não se fixar num nicho específico. Estamos muito felizes com o feedback positivo do material lançado.

Suas músicas demonstram intensidade e entrega por parte da banda. Existe alguma composição que seja mais especial para vocês?

CA: A gente é basicamente da mesma geração aqui da região metropolitana. A intensidade e a entrega que a gente busca expressar nas músicas parte da nossa leitura do mundo a partir daqui e claro, dialogando com nossas referências estéticas, políticas, de vivência e tudo mais. Nesse sentido, tudo que a gente já produziu é especial pra gente, mas pra galera que acompanha a gente as preferências são variadas. Do primeiro EP uma música intitulada "Eu Não Quero Dar Azar" dialoga com uma galera bem múltipla e temos um feedback enorme, do EP "Insustentável" as faixas "Cicatrizes" "Inferno Indecifrável" e "Insustentável" despertam uma curiosidade boa na galera; uma galera curte muito o single de "Errar de Novo" pelo lance da levada do groove e as figuras de linguagem que a letra traz; e tem uma galera que tá curtindo essa fase mais pesada e recente, encabeçada por "Não Seja Um Lambe Botas"

Quais as bandas e fontes artísticas que inspiram o som da banda?

CA: De Planet Hemp à Surra, passando por Rage Against the Machine, Sepultura e Dead Fish, permeada por Jorge Ben.

Como vocês estão lidando com a pandemia de covid 19? Que tipo de interação a banda está tendo com o público nesse momento de quarentena?

CA: O momento atual tem sido bem cabuloso pra galera que produz música e precisa se apresentar e tal. A evolução de qualquer banda se dá na estrada, em cima do palco, com interação do público. Nesse sentido, esse ano foi bem difícil. A gente tá lidando com a Pandemia da maneira que dá, estando atento ao espírito do tempo, tentando entender o contexto geral, pra vida mesmo e pro desenvolvimento do nosso som. A gente projetava o lançamento de mais um EP, mais material da banquinha (camisetas, bonés, bottons e tal) mas não deu, tudo ficou mais complicado - das reuniões de criação aos deslocamentos. Mas mesmo assim conseguimos lançar o single e o clipe, o que já achamos bastante relevante na atual conjuntura. A interação com o público se dá por meio das mídias sociais...a gente é bem aberto ao diálogo e troca de ideias e bastante amigo da galera que valoriza o que a gente faz, somos muito gratos a eles e é sempre uma troca justa.

Podemos esperar material inédito em breve?

CA: Sim! Teremos material sonoro e audiovisual em breve

Quais os planos para 2021?

CA: Produzir, viajar, retribuir e incomodar.

Confira o single "Não Seja Um Lambe Botas": https://spoti.fi/36yrQM7